Historia - Setor 2 - Atlético Juventus

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Aqui, relatarei a história da barra-brava do Juventus, a Setor 2. Torcida que se originou da Ju-Metal, que foi a primeira barra-brava do Brasil, consequentemente, a Setor 02 também, e o pioneirismo é nosso ! Verão aqui, a história de uma torcida que sofre por um amor não correspondido. Enquanto gritamos o mais alto que podemos, o Juve só faz ir pra baixo. Porém, isso não é motivo para esse amor se acabar. Afinal, é na pior que eu te amo mais.

Como e por que surgiu ? 

No dia 10 de fevereiro de 2001, o Juventus enfrentou a equipe do Etti Jundiaí, em jogo válido pela segunda divisão do Campeonato Paulista. Era um sábado, 15 horas – hora em que os operários saíam das fábricas e abarrotavam a Rua Javari. Naquela tarde chuvosa nascia a Ju-Metal, para defender e apoiar o Clube Atlético Juventus, prestar devoção à Argentina – o único e verdadeiro país do futebol – e promover o ódio ao futebol modernista. Uma idéia que vinha tomando forma desde agosto de 1996, com a invenção midiática da primeira Ronaldo-Mania, que inaugurava a era onde o dinheiro comandaria todas as ações no jogo de futebol. Portanto, era chegado o tempo de agir, de tentar resgatar algo que estava se esvaía à olhos nus e deixar claro o descontentamento com a situação. Mas não se deixe enganar com esse agrupamento que hoje é a raiz de um movimento que se alastrou Brasil afora: a Ju-Metal era muito mais forte onde menos se esperava, e um bocado menos despretensioso do que alguns podem imaginar.

Dificilmente contava com mais de 15 integrantes, mas no primeiro ano viajou mais do que a tradicional torcida organizada do clube, lançou a bomba da discórdia entre a Mooca e a Barra Funda e incomodou a diretoria com um texto, distribuído dentro do estádio, em que execrava sua decisão de mandar os jogos da debutante Copa FPF no campo do Nacional, enquanto o gramado da Rua Javari passava por merecidas reformas.

Nos dois primeiros anos, a Ju-Metal plantou a semente do que seria a torcida atualmente chamada de Setor 2, mesmo sendo alvo de muito preconceito dos próprios juventinos e, claro, do despreparo das autoridades, que constantemente tentavam impedir suas ações. Na prática, aquele novo agrupamento de amigos apaixonados pelo Juventus modificou a maneira de incentivar o time rapidamente, mas demorou um bom tempo até que ganhasse força, conquistasse novos adeptos. A Ju-Metal veio antes da internet, do youtube, foi um movimento levantado na arquibancada, tijolo após tijolo - durante o primeiro semestre só havia um trapo; um tirante viria no segundo.

Apesar do espírito argentino, as atitudes de seus integrantes, muitas vezes, lembravam mais o comportamento dos primeiros hooligans ingleses, dos anos 60 e 70, do que a de um hincha de uma barra-brava. Afora apoiar o time, a intenção principal era chocar, incomodar, cuspir de volta a merda que nos faziam engolir, chamar a atenção, levantar polêmicas, desconstruir unanimidades, romper o comodismo brasileiro e, se possível, fazer daquilo um foco de resistência. Após três intensos semestres, a torcida foi abalada por outra investida do veneno midiático, na pseudo Copa do Mundo, em 2002. Se a Ju-Metal era um grupo pequeno, se reduziria a quase nada depois desse fatídico ano, com a desistência de boa parte de seus integrantes.

O clube também desistiu: não quis adentrar a Copa FPF; quando mudou de idéia era tarde demais. A melancolia dominara o futebol, no “país do futebol” os cartões estavam decidindo campeonatos, não haveria Juvenal, a segunda Ronaldo-Mania estava concretizada e o futebol estava cada vez mais nas mãos de quem não deveria. Mas nem tudo estava perdido.

Nascimento 

A Ju-Metal já tinha plantado suas raízes no cenário da Rua Javari quando começou a desaparecer. Com o futebol mundial em pleno e calamitoso declínio, o Juventus escapou do descenso no Campeonato Paulista em 2003, mas não conseguiu evitar a queda no ano seguinte. Nesse período entre o fim da Ju-Metal e o nascimento do Setor 2, pipocaram notícias de que o clube venderia o estádio e fecharia o departamento de futebol profissional. Era grande a possibilidade de uma inédita queda para a terceira divisão estadual. A realidade da torcida do Juventus era tão assustadora quanto à do clube: a tradicional organizada estava mais fraca do que nunca e o Setor 2 não passava, então, de um “sonho impossível”. Mesmo assim, a partir do descenso, começou a surgir um novo movimento atrás do gol da creche. Alguma coisa estava borbulhando ali, e tudo estava baseado na mentalidade e atitudes da Ju-Metal. Na Copa FPF de 2004 a semente, finalmente, começaria a gerar os primeiros, e ainda tímidos, frutos. Andando na contra mão de um comum hábito brasileiro, quanto menos o Juventus vencia, mais a torcida crescia, não abandonava, cantava mais forte, pendurava mais e mais trapos, reagia. Esse foi o momento onde o cimento de nosso campo se transformaria num ímã para loucos, doentes, inadaptados e descontentes com o futebol, graças à insistência de antigos pioneiros da Ju-Metal. Porém, agora não se tratava mais de um grupo de amigos que compartilhavam idéias e sentimentos. Pessoas que não se conheciam começaram a se juntar todos os jogos para apoiar o Juventus, mas também para demonstrar que futebol nunca seria algo artificial, plástico e previsível – como (quase) tudo havia se transformado.

Essa foi a geração de torcedores que começou a levantar o Setor 2 com sangue, suor e lágrimas e não levou sequer um nome próprio – que por sinal era a última coisa que eles necessitavam. Apareciam sugestões como “Los de Siempre”, “Revolução Juventina”, mas tudo o que acontecia, partida após partida, era muito mais forte, irresistível e urgente do que um nome. E o ano de 2005 seria um marco para o movimento no Brasil, graças a Geral do Grêmio – a outra barra que não dependia de Bill Gates. O primeiro semestre foi, uma vez mais, inesquecível para os juventinos de verdade: no comando do time, Edu Marangon – o Boy da Mooca – prometia que o clube voltaria a ser grande, a torcida demonstrava que isso era possível, e mesmo contando com o plantel mais barato entre todos os vinte participantes da Segunda Divisão, o clube levantou a taça, voltando ao seu devido lugar. O que estava borbulhando, explodiu; o que tinha sido plantado começaria a ser colhido. A Ju-Jovem, por fim, passava seu bastão e só se ouviam cantos argentinos na Mooca.

Naquele campeonato tudo se encaixou e a torcida conquistou o reconhecimento, definitivamente, das pessoas envolvidas no clube. Porque do início ao fim da campanha cresceu junto com o time. A velha mágica do futebol, que tanto fazia falta, acontecia novamente: a torcida empurrava o time, não importasse nada (porque quem está na merda não tem mais nada a perder), e os jogadores jogavam com vontade. Estava claro que a Ju-Metal havia ressuscitado em uma nova forma, mais agressiva, barulhenta, apaixonante. O monstro tinha forma, mas o nome só apareceria no ano de 2006. Agora batizado e mais descontrolado do que nunca, o Setor 2 viveria cinco semestres de pura loucura e demência.

Crescimento até a Situação atual 

A partir desse ponto, a história não é mais mistério, e quase que se conta sozinha. E a razão disso é exatamente o crescimento. Não havia como ignorar o Setor 2, e parecia que era difícil não se apaixonar por ele. A torcida recebeu neste ano uma inevitável e esperada dose de energia, com a chegada de uma nova geração de torcedores, a maioria atraída pela própria torcida. Na primeira divisão, o Juventus realizou uma campanha inesquecível, com destaques para as vitórias sobre o São Paulo, em pleno Morumbi (no dia da entrega das faixas pela Copa Intercontinental) e a Portuguesa, na Rua Javari (que praticamente decretou o primeiro descenso da história do time do Canindé).

A Travessura estava de volta, e junto com ela a própria identidade do orgulho do time do bairro, que a torcida seguia promovendo. Isso seguramente foi um dos fatores que mais atraiu gente para o Setor 2. A oitava colocação no estadual garantia a classificação para a terceira divisão nacional. O time não foi longe e o mesmo aconteceu na Copa FPF. A torcida não parava de crescer, mais trapos, mais cantos, o fluxo seguia naturalmente, a loucura aumentando. E o pior (assim como o melhor) ainda estava por vir. Foi no ano de 2007 que o Setor 2 ganhou algo que nem o mais otimista integrante da Ju-Metal poderia sonhar: o respeito e admiração do próprio povo do bairro, assim como dos membros mais antigos do clube. O Campeonato Paulista foi dramático, com o Juventus escapando do rebaixamento após vitória de virada, sobre o Paulista, numa festiva e descontrolada tarde na Rua Javari. Das dezenove rodadas, a torcida seguiu o time em dezessete – um marco na historia do clube. E lá se foi o Setor 2 cravar sua bandeira em Bangu, e oito dias depois em Nova Lima, pelo torneio nacional. Após cinco empates e uma vitória, o Moleque estava fora da competição.

E quando tudo parecia acabado, surge o dia 25 de novembro, o título da Copa FPF, numa das partidas mais emocionantes da história do clube – não é sempre que se vê o último chute de uma temporada valer uma taça, que por sua vez coroou o esforço e dedicação dos jogadores, mas principalmente da torcida. Não é preciso dizer que ela seguiria sua marcha incansável e demente no ano seguinte, agora já como uma marca no clube, e ganhando novos adeptos. Uma nova leva de torcedores apareceu após o rebaixamento no Campeonato Paulista. E isso, novamente, mostrava que quanto menos o Juventus vencia, mais a torcida crescia. Porque assim é a energia do Setor 2: natural, odiosa, fanática. E quem pagou o pato dessa vez foi justamente o Nacional, com um 5 a 4 humilhante na Barra Funda. Assim caminha o Setor 2. Mesmo após viver o pior momento em 85 anos de existência do Juventus, com o rebaixamento para a terceira divisão estadual, a torcida se mantém. Como disse El Che Canalla: “se a revolução for verdadeira, não há outra opção senão a morte ou a glória”. JUVE ou nada !

Agradecimentos a Fernando Toro

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